À beira do precipício

Aquele sol de Cancun queimando em seus olhos. Você observa tudo ao seu redor e contempla aquela vista panorâmica, paradisíaca — quase sagrada. Nesse momento, tudo fica para trás e nada mais importa: você olha para ela e tudo parece pegar fogo.

Um sentimento impregnado tão fundo na alma que mais se assemelha a um tesouro arcaico que se entranhou pouco a pouco em seu íntimo — e mudou para sempre as suas vidas. Um afeto tão valioso quanto ouro que fez você encontrar nela uma luz que ninguém sabia que existia.

E daí em diante os dias sempre foram ensolarados. Não importava se lá fora caía uma tempestade torrencial, se o mundo estava prestes a se acabar ou se o inverno estava rigoroso demais; dentro de vocês a previsão do tempo era sempre de tempo aberto, nuvens claras e sorrisos que começavam nos olhos e terminavam nos lábios.

Mas você preferiu ficar na superfície, quando tudo que restava era mergulhar fundo. Até quando vai tentar preencher esse vazio? Deixou para lá um sentimento atemporal que começou em outras vidas e tentou tocar o chão enquanto a cabeça permanecia nas nuvens.

Se soubessem que seria a última vez, um dos dois teria partido o coração no meio na tentativa de salvar a outra parte, pois o mundo continua girando, mas nenhum dos dois sai do lugar.

E aí você se vê engasgado, sem conseguir encontrar ou mencionar as palavras. Você só sabe que toda vez que se despedem, machuca. O coração aperta, acelera e fica pequenininho — tudo ao mesmo tempo. Como amantes da noite ou poetas inspirados, tudo o que vocês realmente sabem é que um está aonde o outro quer ir.

Quando o sol se pôr, as luzes se apagarem e a banda parar de tocar, você sempre se lembrará dela desse jeito. Quando o mundo inteiro desaparecer, ela sempre se lembrará de vocês dois desse jeito. A parte sua que é ela, nunca vai morrer. A parte dela que é você, sempre irá viver.