Quem cultiva expectativas colhe decepções

Faz parte do nosso amadurecimento compreendermos que não é saudável projetar expectativas nas outras pessoas. Desde a infância criamos esperanças de que nossas necessidades sejam atendidas e de que nossos desejos sejam realizados por quem nos rodeia. Parece fazer parte de nossa natureza embalar a esperança de que tudo vai dar certo, de que as pessoas nos farão felizes e de que todos os nossos sonhos serão atendidos. Infelizmente, a vida tende a nos lembrar de que teremos um longo caminho de decepções e tropeços pela frente, pois nada é fácil, nada vem fácil.

Diariamente, nossa jornada estará sujeita a ventos e tempestades, a desvios escuros que irão esmorecer nossos ânimos. Problemas fazem parte da vida de todos nós e sua solução dependerá da clareza de nossos sentimentos em relação ao que deve ser feito. É importante estarmos preparados para as adversidades que bagunçarão nos espaços e enfrentarmos os obstáculos com equilíbrio e sabedoria.

Muitos de nós temos como hábito esperar sempre o melhor das pessoas, confiando que herdaremos o que doamos na mesma medida e que a sinceridade será a base dos relacionamentos que cultivamos. Infelizmente, nem todo mundo dispõe de reciprocidade e de gratidão para restituir dedicação na mesma proporção com que as recebe.

Nem sempre as nossas verdades serão as corretas e raramente as pessoas terão os mesmos propósitos que os nossos. É preciso observar os outros com um olhar isento de idealizações, deixando de basear nossas constatações naquilo que acreditamos ser o mais verdadeiro.

Não cultive esperanças de que as pessoas serão gratas pelo que você faz por elas, nem que reconhecerão sua dedicação, consideração ou seus esforços em torná-las felizes. Muitas simplesmente esquecerão tudo na primeira oportunidade, outras irão lhe cobrar muito mais, enquanto algumas irão substituir suas amizades por outras mais vantajosas.

É preciso atenção aos sinais que as pessoas nos emitem, através de atitudes, expressões e comportamentos, pois são as ações que espelham o que somos e não os discursos. Esperar do outro aquilo que está dentro de nós inevitavelmente irá ocasionar uma série de decepções que em nada nos beneficiará. A impiedosa realidade é que somos os únicos responsáveis por nossas vidas, pelas nossas dores e alegrias. Isto é, podemos confiar sim, mas em ninguém mais do que de nós mesmos.