Brilho eterno de uma vida sem amor

Basta uma caminhada despretensiosa pelo bairro em que moramos para nos depararmos com cartazes pregados nos muros grafados em caixa alta: MAIS AMOR, POR FAVOR! Por favor? Não. Precisamos sim de mais amor, mas não por cortesia ou obséquio.

O amor, aquele mais puro e singelo, que mais parece lenda urbana ou coisa de filme, desvaneceu de nosso cotidiano. As pessoas desaprenderam a amar. Compartilham textões em suas redes sociais, vociferam aos quatro cantos que o mundo precisa de mais compaixão e afeto, mas recolhem-se em sua ordinária insígnia, e lá ficam, protegidos e inalcançáveis.

Preenchem seu tempo com atualizações diárias em seus perfis, filtram fotos e distribuem artigos com conteúdos literatos, mas olham e não enxergam. Escutam, mas não ouvem. Sorriem com um riso frouxo, mas não tem coragem nem vontade de gargalhar e alegrar-se com apetite e deleite.

Nossas relações são superficiais. Entramos num relacionamento já prevendo que o fim não tardará para acontecer. É a geração joguinho. Usamos e abusamos de estratégias e artimanhas que escondam os nossos sentimentos e que nos impeçam de expor nossas emoções.

Estamos protegidos sim, mas a quê preço? Vale a pena viver uma existência insossa, inexpressiva e vazia? Dizer o sim em frente ao altar, jurando fidelidade na saúde e na doença, na alegria e na tristeza apenas por convenção, era essa a quimera que queríamos para nossas vidas?

Não adianta falar de amor, nem pedir “mais amor, por favor” se em nosso íntimo já esquecemos do que isso se trata. Amor de todos os tipos, amor passional, familiar, amor ao próximo. Demonstramos nossos sentimentos com emoticons em formato de coração que saltam nas telas de nossos celulares em movimento de pulsação, mas não temos coragem de olhar nos olhos do nosso parceiro e dar um sorriso sincero. Ou um abraço verdadeiro.  Ou um suspiro descompromissado.

Está tudo errado. Em algum momento de sua existência, a humanidade se perdeu. Viramos analfabetos sentimentais. Aprendemos sobre geografia, literatura, ciência e não assimilamos a lição mais antiga da história: amar-vos uns aos outros. Estamos todos de saco cheio e coração vazio. E o pior de tudo, é que tentamos preencher esse espaço com o sustento errado.

Palavras bonitas tornam-se lacunas quando são ditas da boca pra fora. O que as sustenta são as verdades que teimamos em esconder e guardar num lugar tão impenetrável que é preciso desvendar um labirinto para se chegar até lá. E muitas vezes, nessa meada perdemos o fio condutor.

Um “eu te amo” sincero não foi feito para doer. Não foi preparado para assustar, nem penalizar. Seu propósito é fluir, espalhar, multiplicar. Esparramar-se nas vidas e existências das pessoas, transmitindo e contagiando a todos. O amor tem o poder de mudar, a nós e ao mundo.

E daí se a pessoa te ignorar, não compreender e achar sem sentido? O amor, aquele mais puro e singelo, não precisa fazer nenhum sentido. Ele deve ser sentido.

Era vidro e se quebrou

     A julgar pelos ventos soprados entre as janelas dos relacionamentos humanos, estes nos mostram que todo compromisso tem prazo de validade. Nos casamentos, o juramento que se faz no altar destacando o “ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que a morte os separe”, dura cada vez menos.           
     A tolerância é quase zero, numa cifra quase minúscula, enquanto as oportunidades extraconjugais são avassaladoras, quase irremovíveis, mudando seu foco e atenção para outro objeto, desviando seus interesses para outro ser.
     Ser humano permanentemente no cio, com desejos a flor da pele, sem manter alguma parcela de culpa na consciência, rompe laços até então tão sólidos, deixando em ruínas seus compromissos e promessas tão suavemente ajustados.   
     Se nos basearmos no universo político, aí sim as traições são escancaradas. Alianças interesseiras e ordinárias são costuradas e os juramentos se rompem num leilão de conveniências e vantagens movidas por um desejo ganancioso. Ideologias são esquecidas e abandonadas em reuniões obscuras, e o povo pacificamente e pacientemente não percebe esses atos de traições praticados por seus representantes, nem notam o quão prejudicados serão no futuro, que nem é tão distante.   
     Todos os juramentos são quebrados, as promessas são rompidas, pois foram alinhavadas por um fio frágil e delicado. A fé só é valorizada quando a salvação é moeda de troca, num jogo de interesses sombrios. A crença inabalável que tudo posso mesmo quando não me convém.
Famílias desestruturadas, educação escassa, violência gratuita, falta de amor ao próximo, mas o que importa são as contas bancárias recheadas, revestidas de poder e admiração adquiridos com dinheiro sujo.   
     Sinal dos tempos, tão modernos e fúteis como quase tudo o que acontece por força do comportamento nocivo dos seres humanos. A racionalidade está acima de tudo.

 

Em um relacionamento sério com a dúvida

Diariamente, observando o comportamento e as relações humanas, podemos perceber que atualmente as pessoas estão cada vez mais indecisas e confusas.
São tantas as possibilidades e alternativas disponíveis que constantemente surgem dúvidas. Fica cada vez mais fatigante fazermos escolhas e optarmos por algo, sem sabermos quem e o que é mais agradável, confiável, digno e honesto.
     São tantos os caminhos acessíveis que se instala um mal estar pessoal, uma ansiedade tão gritante que pode causar e agravar doenças.      
     Transbordam classificações, do mais leve ao mais pesado nível, como depressão, nervosismo, gastrite nervosa, crise de ansiedade, síndromes diversas, e tantas outras patologias. Contudo, o que notamos é a indecisão talhando pessoas lentas, radicais e de pouca ou nenhuma paciência. Isso cria um ambiente social agressivo e imprevisível, onde tudo pode acontecer. A morte passa a ser só mais um número e não mais algo que comove e sensibiliza o ser humano.     
     As pessoas não sabem o que querem, e quando fazem escolhas logo se remetem à possibilidade de realizar trocas. Alguns são comandados pela presença contínua da incerteza, hesitam sobre todos os assuntos, pessoais, familiares, sociais e amorosos.   
     Essas deveriam buscar ajuda profissional, analistas, psicólogos, terapeutas, visto que quem se conhece mais, erra menos. Quem se entende melhor, tem mais paciência em compreender a si e aos outros.           
     Neste mundo moderno e digital, onde é mais importante possuir um celular de última geração do que uma estante cheia de livros, as relações são muito superficiais, não há mais olho no olho, e os relacionamentos são cultivados de maneira on-line.    
     Mais importante do que quem diz é aquilo que foi ouvido, compreendido, aprendido e praticado. Devemos rever nossas atitudes e pensamentos, pensar menos em si e mais no próximo, cultivar mais amigos reais que virtuais, ler mais livros e acessar menos as redes sociais. São atitudes que contribuirão para amenizar nossas indecisões e ansiedades.
Quem se conhece está mais preparado para lidar com as adversidades da vida. Quem sabe o que quer não perde tempo procurando respostas onde não existem soluções. É preciso rever nossos conceitos e redefinirmos nossas posturas. É o melhor conselho que eu posso lhe sugerir para que você adquira mais qualidade de vida, bem estar e paz no coração, que no final das contas, é o que realmente importa.

E permaneço aqui mesmo, distante

E de repente já estamos em outubro.

O que aconteceu com os dias, as horas, os momentos que passaram tão despercebidos? O tempo, senhor de si, não espera nem aguarda ninguém.

Os livros continuam empilhados na estante esperando uma data livre pra serem lidos, os filmes que compramos naquela promoção leve 3 pague 2 continuam intactos dentro da embalagem.

Nosso quintal tem tanta tranqueira acumulada quanto poeira em cima dos móveis da casa toda.

As cortinas da sala estão encardidas, assim como as almofadas do sofá. Nossas roupas guardadas no armário não nos servem mais, mas continuam lá, ocupando um espaço considerável nas prateleiras.

O cachorro que chegou em casa ainda filhote enchendo o ambiente de alegria, já está adulto e nem notamos quando isso aconteceu.

O vizinho se mudou há três meses e só hoje você percebeu que o morador ao lado não é mais o mesmo.

O seu afilhado já aprendeu a falar e você não se lembra quando foi a última vez que o visitou.

O último filme assistido no cinema foi exibido em uma tecnologia que nem existe mais com a sua carteirinha de estudante que hoje já está vencida.

O cartão de Natal que sua mãe te enviou ainda está dentro do envelope há quase um ano, e repousa no mesmo lugar que você o esqueceu. Aliás, falando em mãe, qual é mesmo o número de telefone da casa dela? E a data de aniversário? Quando foi a última vez que você deitou em seu colo e deixou que ela acarinhasse seus cabelos?

No entanto, o importante é que a caixa de e-mails está sempre lotada, o aparelho de celular é o mais moderno do mercado, as notificações de mensagens chegam a todo o momento, o perfil na rede social é atualizado diariamente.

Prioridades. O tempo não perdoa, ele é um alucinado vingativo que mais cedo ou mais tarde, vai cobrar o seu preço.

Mas tudo bem pra você, o que importa é que sua vida virtual sempre foi impecável. A vida interior, seus sentimentos, pensamentos, histórias e reflexões não merecem tanta consideração, afinal, você nunca permitiu mesmo que alguém se aprofundasse na sua bagunça.

Protagonistas em 2015

           Mais um ano se passou e outro está para começar: 2015 vislumbra com 365 novas oportunidades. Muitas encruzilhadas se apresentarão na estrada que se inicia, muitas armadilhas escondidas em falsos desvios. Que o nosso discernimento nos guie para escolhermos os melhores caminhos. Não podemos nos permitir trilhar distâncias errôneas, nem buscar, no cômodo aconchego das ilusões do mundo, atalhos sabidamente incorretos.    
O tempo urge, é preciso semear para colher. Benditos aqueles que semearem boas ações, gentilezas, respeito e amor ao próximo. Estes colherão os melhores e mais maduros frutos.     
Não decepcionemos o universo e toda a energia que ele derrama e nos concede diariamente proporcionado-nos um novo dia, uma nova oportunidade, uma nova chance para optarmos pelas escolhas certas.           
Que sejamos guiados pela sabedoria, que saibamos extrair o melhor de nós e dividir com nossos semelhantes desorientados, arrependidos, carentes. Carentes de alimentos, de calor humano, de fé na humanidade. Que o novo ano devolva o riso perdido nos dias sofridos que se passaram. E nessa nova jornada, que a união se faça presente nos lares, que os laços familiares se fortaleçam, que o sorriso no rosto e o brilho no olhar sejam mais importantes que o saldo na conta bancária.   
Que não decepcionemos nossos filhos, que em cada jornada nossos passos sejam dados na direção do bem, abraçando irmãos, erguendo-os dos buracos que se meteram, recolocando-os no caminho correto e apoiando-os em suas decisões.         
Revestidos de calma, que cada um de nós possa mergulhar cada vez mais fundo e retornar à superfície mais confiante em si mesmo. Que os verbos dar, receber e retribuir guiem nossos horizontes, construindo um futuro alicerçado na paz.
Que o tempo, essa sábia máquina engenhosa, nos permita superar as medidas do impossível. Vamos querer e requerer, partir e repartir, ter e conter. Seguir buscando, talvez este seja o ofício do poeta: guardar a palavra e aguardar a providência. Sabemos que são longas as estradas que conduzem para um desejo do coração, que estejamos preparados para tudo aquilo que vem com a noite.    
E como acréscimo, que em nossas orações diárias, além dos agradecimentos pela dádiva da vida, que roguemos ao nosso objeto de fé, pelo futuro do nosso país. Que supliquemos pelos destinos de nossa pátria que tem sido assaltada e violentada de maneira cruel, e que em 2015 a luz do pai da humanidade ilumine e corrija os homens do Brasil e do mundo. Amém.

Gratidão ao ano velho

           Tenha ele sido para cada um de nós esplêndido ou esplendidamente difícil, não podemos negar a sua importância. Mesmo porque ele fez parte de nossa existência e não seríamos o que somos se não fosse por ele e por todas as lições que nos ensinou.
Numa velocidade surpreendentemente fugaz, ou no decorrer calmo de seus dias, mais um ano termina com a celeridade imbatível dos ponteiros do relógio.
É comum assistirmos nessa época do ano nos programas de televisão as celebridades enaltecendo o ano que finda. Estão corretas ao darem a ele a devida reverência, pois não devemos fingir que ele não existiu. Se tivemos mais fracassos que sucessos, mais dias depressivos que alegres, mais apertos que euforias no coração, foi com ele que nos fortalecemos e por ele esperamos um futuro mais próspero. 
As coisas boas que aconteceram ficam eternamente em nossas lembranças e delas queremos sempre uma recordação. Mas as não tão boas assim, aquelas que temos por costume ignorar, negando terminantemente como se elas não tivessem existido, essas sim são as mais preciosas, pois sempre resultam em um importante aprendizado para nós. “A vida começa todos os dias” já diria o sábio Veríssimo.    
A evolução da alma é fato incontestável. Esteja ela onde estiver, habitando este ou aquele plano de vida, evoluir é a palavra de ordem. Desse modo, não nos cabe ficar parados no tempo. Precisamos avançar ainda que seja um pequenino passo por dia, que ao final da jornada, significará muito e nos levará aonde temos que chegar.  
A nossa mesquinhez não nos permite vislumbrar a grandiosidade das nossas boas ações, que consideramos insignificantes. Mas porque atribuímos exagerado valor àquilo que de mais infeliz aconteceu, temos a tendência de colocar uma lente de aumento nas situações difíceis, de modo que deixamos de notar as benções e vitórias que recebemos diariamente.     
Que o ano velho deixe como aprendizado que somos muito mais fortes do que imaginamos e muito mais resistentes que a nossa frágil aparência, e que o novo ano nos traga a esperança de dias melhores.

Pátria amada, Brasil

Brasileiro tem sorriso amistoso. Como não teria se esse país que é bonito por natureza, tem Carnaval, futebol, sol, praia e caipirinha.      
Pobre não passa fome, é bem atendido na emergência de um hospital, pode sair à noite tranquilamente sem se preocupar com a violência, as escolas realmente preparam seus discentes para a vida, os impostos são baixos, o custo de vida idem, os serviços públicos são de qualidade de primeiro mundo. No mundo afora há regimes totalitários, ditaduras, monarquias, enquanto aqui nossa democracia é um exemplo para os governos dos demais países, é imbatível, com a imprensa investigando e denunciando sem ameaças e mordaças.          
Se em outros países os ministros e chefes de governo têm perfil político, os nossos são cidadãos apaixonados por nossa pátria e por isso, capacitados para desempenharem suas funções na gestão de nosso país da melhor maneira possível.
Se lá fora há uma relação obscura entre o setor público e o privado, aqui a honestidade impera e a corrupção é uma palavra que não existe em nosso vocabulário.
Se lá fora as paredes dos gabinetes falassem, não sobraria um gestor sequer a salvo, enquanto aqui não falam, mesmo porque ninguém ouve.      
Se lá fora os trabalhadores que sustentam o país com sua mão de obra têm que labutar 159 dias por ano somente para arcar com os impostos, aqui ninguém sua a camisa por isso. Lá fora familiares e amigos próximos dos políticos saem ao final do mandato com seus bens multiplicados e contas recheadas em paraíso fiscais, aqui já é um paraíso para todos sem precisar de nenhum fiscal, pois todos seguem as leis.
Se lá fora após a posse os interesses pessoais sobrepõem-se aos coletivos, aqui as necessidades da população sempre são prioridades. Se fora os gestores são constituídos de vaidades, aqui não se gasta nada com propaganda e venda de imagens.
Lá fora quem governa considera-se acima da lei (“você sabe com quem está falando?”), aqui, todos respeitam e seguem as regras. Se lá fora a impunidade é lugar comum, aqui todos pagam por seus erros sob a batida ameaçadora do martelo da justiça.
Por aqui tudo é transparente e raramente as investigações e denúncias terminam em pizza. Cidadãos enchem o peito de orgulho ao vestir a camisa de nossa seleção, que, aliás, deu um show na última Copa do Mundo. Por esses e tantos outros motivos, és mãe gentil dos filhos dessa pátria amada, salve salve!

Heranças de um manifesto

           Não há legado algum, se esse legado não é duradouro. A história não se constrói com pequenas ocorrências, mas sim, com manifestações ideológicas e corajosas de seus participantes.         
Grande parte da multidão que tomou as ruas em junho de 2013 apenas demonstrou o seu descontentamento com os agentes políticos devido aos atos que envolveram o mau uso do dinheiro público, a descoberta de um esquema de corrupção obsceno e o descaso com que estes gestores tratam setores de extrema importância para a população: saúde, educação, segurança, numa afronta vergonhosa a nossa cidadania.    
Mas o motivo principal da indignação foi a questão do transporte público, princípio e estopim de toda essa caminhada. Em determinado momento foi mais uma expressão de identidade de cada um dos brasileiros para dizer aos detentores do poder que exigimos nossos direitos, pois somos estudantes, trabalhadores, comerciantes, empresários, aposentados, artistas… mas acima de tudo, somos cidadãos, eleitores e contribuintes.    
Os protestos, apesar do objetivo inicial, não despertaram nenhum interesse político, nem tão pouco alguma consciência política. Sem direção definida, esse movimento não passou de um longo passeio turístico, uma excursão escolar que rendeu muitas fotos postadas nas redes sociais.      
Não houve por parte desses manifestantes a formação de grupos de trabalhos para delimitar interesses e sugerir soluções eficientes. Por mais legítimo que sejam as diversas formas de protestos, o que ficou de herança foi a curta escalada de alguns pseudos líderes que tão logo o movimento enfraqueceu, foram buscar acolhimentos em sindicatos, associações e comitês partidários, colocando seus interesses pessoais à frente das necessidades coletivas. 
É de grande propósito e eficiência a pressão das massas, e louváveis as atitudes do povo que sai do conforto do seu lar para ir às ruas e se rebelar nos interiores das organizações sindicais, sociais e políticas, onde podem manifestar sua indignação e revolta, porém, a caminhada deve ser contínua, pois o rio não interrompe seu curso enquanto não alcança o mar.

Corrupção nossa de cada dia

           A vida hoje em dia custa caro, pagamos impostos altíssimos e por fim, acreditamos que não ganhamos o suficiente.      
E qual o motivo disso? Sustentar a corrupção que torna milionários políticos desonestos. O que acontece na política de nosso país é capaz de deixar qualquer brasileiro indignado, envergonhado e sem esperanças num futuro melhor.     
Todo o dinheiro desviado dos cofres públicos faz muita falta na hora de investir na segurança, saúde, educação, e em tantos outros setores que carecem de investimentos. A população sofre com a carência nesses setores e os corruptos gozam de uma vida confortável às nossas custas. 
A corrupção na política virou uma grande e descontrolada epidemia, o que acaba banalizando esse tipo de atitude, e como resultado, todo mundo pratica. Ninguém mais se assusta quando fica sabendo de atos de corrupção, porque isso já virou uma coisa completamente normal. A sabedoria popular reza que não existe honestidade no meio político. Também é inaceitável que esse tipo de crime seja julgado por tribunais especiais (isso quando eles ainda são julgados, pois muitos conseguem sair livres do caso, sem receberem a justa punição).          
Porque crimes de colarinho branco são julgados separadamente dos demais? Qual a diferença entre uma pessoa que comete um roubo a uma residência e um político que desvia o dinheiro público? O Código Penal deveria ser usado para todos, inclusive para esse tipo de crime, julgando e colocando atrás das grades os culpados.           
A fiscalização é sem dúvida nenhuma, essencial. Trazer toda essa sujeira à tona é o único jeito de fazer a situação mudar.      
Mas infelizmente atos desonestos não são exclusividade do meio político. Empresários que sonegam impostos, que deixam de registrar seus funcionários, motoristas que param na vaga de deficientes e nós mesmos, no nosso dia a dia, também cometemos atos de corrupção. Quem nunca deixou de pedir recibo ou nota fiscal de alguma compra para estar sair mais barata? Quem nunca se sentiu tentado a subornar o guarda para escapar de uma multa de trânsito?            Tudo isso, de forma mais ou menos grave, contribui para que a corrupção exista. Devemos fazer a nossa parte. Fiscalizar os nossos próprios atos e educar nossas crianças já é um bom começo.   
Nas próximas eleições devemos acompanhar mais de perto as propostas de cada candidato, e cobrar o cumprimento de suas promessas depois de eleitos. Quem sabe se passarmos a escolher nossos representantes de forma mais consciente evitemos que algum político inescrupuloso passe a mão no nosso dinheiro, e pior, com o aval do nosso voto.

O poder sempre corrompe?

A sedução do poder consiste basicamente em imaginar que você é livre para fazer o que quiser e que não está sujeito a nenhum tipo de julgamento. No caso do político, revestido de poder pelos nossos votos, o problema maior é a imunidade parlamentar.
Nos dias de hoje, onde grande parte das pessoas possui caráter e comportamento duvidosos, encontrarmos pessoas honradas e honestas é no mínimo uma raridade, especialmente se for na política. Mesmo que todo mundo roube, desvie, engane, o homem honrado não “faz como todo mundo” pois ele possui princípios éticos.
Alguns deles até nos emocionam, pois sentem uma espécie de amor pelo país e pelo próximo e nunca colocam seus interesses pessoais à frente desse afeto. Quando tem o poder nas mãos são como um farol: iluminam o caminho de todos.        
O grande problema é que exemplos de pessoas assim estão se tornando cada vez mais raros. A possibilidade de se enriquecer facilmente desviando dinheiro público e não ser punido por isso, torna a idéia muito mais atraente. Quem não quer dinheiro fácil sem ser responsabilizado e questionado de sua origem? O homem de bem não.   
Como é que de repente todo mundo faz aquilo que considera errado? Por um único motivo: banalização. Hoje em dia não nos surpreendemos mais quando lemos casos de corrupção nos jornais, nem quando ficamos sabendo de desvios de dinheiro público nos noticiários da TV. Não ficamos mais horrorizados com esse tipo de notícia, pois tudo isso já virou lugar comum, deixou de ser escândalo, um fato isolado para virar regra: política é sinônimo de corrupção.     
Ainda mais num país como o nosso, onde a impunidade predomina. Onde ladrões de galinha passam anos na cadeia enquanto crimes de colarinho branco sequer são levados a julgamento.          
A crise política que assola o país está diretamente ligada à decadência de valores éticos de toda a sociedade. Por isso que investir em educação nunca foi tão importante como é agora. É preciso ensinar valores morais para as gerações que estão por vir. Ensinar que ter caráter não deve ser considerado exceção, mas sim, dever de cada um. Educar é mais que ensinar a ler e escrever, educar é preparar a criança para a vida e para os desafios que surgirão no futuro, é ensinar bons valores, respeito ao próximo, paciência, honestidade, perseverança.  
Quem sabe não serão essas futuras gerações que irão consertar esse país? É esperar para ver, as sementes plantadas hoje e cultivadas ao longo da vida, darão bons e maduros frutos amanhã.